Previsto para amanhã, o retorno dos cinco filhos da
agricultora Silvânia Mota da Silva, adotados de forma irregular por
famílias paulistas, tem mobilizado a população de Monte Santo, a 352
quilômetros de Salvador. O horário de chegada não foi divulgado pela
Secretaria Nacional de Direitos Humanos (SDH).
Há duas semanas, representantes do Centro de Defesa
da Criança e do Adolescente (Cedeca-BA) têm visitado regularmente a
cidade. De acordo com a advogada do Cedeca, Isabela Pinto, que ontem
estava na cidade, o trabalho é verificar a estrutura para receber as
crianças e preparar a população para acolher as crianças, depois de 18
meses.
“Sabemos que as famílias paulistas têm provocado as
pessoas na cidade para que criem quase uma perseguição a essas crianças.
Estamos aqui para esclarecer que todo esse problema é culpa do Estado e
que essas crianças foram vítimas de tráfico de pessoas”, explica
Isabela.
Entrevistas em rádios da cidade e a exibição,
seguida de debate, do documentário Ser-Tão Inocente: As Crianças de
Monte Santo na Câmara de Vereadores da cidade estão entre os
preparativos para a chegada da família.
“O que queremos é que essas crianças sejam acolhidas
pela comunidade e não precisem passar por outros traumas”, afirma
Isabela. Segundo Maurício Freire, advogado da família, a expectativa é
que não haja nenhum ato público pelo retorno.
“A família quer total privacidade e um reencontro
discreto, sem banda, sem nada”, afirma. Na cidade, há uma divisão entre
apoiadores do retorno e pessoas que vêm com desconfiança a volta das
crianças ao lar. Moradores também estão fazendo doações para ajudar a
família na reforma da casa.
A iniciativa já arrecadou quase R$ 900. Segundo o
deputado estadual Yulo Oiticica (PT), membro da Comissão de Direitos
Humanos da Assembleia Legislativa que faz parte da comitiva da SDH, o
retorno das crianças deve ser acompanhado pela Polícia Federal.
“É preciso que o Estado agora intervenha com ações e que também seja minimizado o preconceito. Ser pobre não é crime”.












