A promessa "até que a morte nos separe" é cada vez menos cumprida pelos
casais. A possibilidade de se divorciar com mais facilidade e ter a
esperança de iniciar uma nova vida com outra pessoa faz com que muitos
relacionamentos acabem. De acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de
Geografia e Estatística), os divórcios aumentaram 20% em dez anos. Para o
psicanalista Mauricio Sita, autor do livro "Vida Amorosa 100 Monotonia"
(Editora Viver Melhor), é mais frequente que a mulher tome a iniciativa
de se separar, ainda que o parceiro também esteja insatisfeito.
"O homem não gosta de ser o responsável pelo rompimento", afirma.
Segundo o psicanalista, quando a relação vai mal, é muito comum o homem
criar armadilhas para que a mulher tome a iniciativa de terminar. "Ele
fica distante, economiza atenção e carinho, prioriza o trabalho e os
programas com os amigos", explica o especialista. Dessa maneira, ele vai
minando o relacionamento e forçando-a a agir. O psicólogo Ailton Amélio
da Silva, professor da USP (Universidade de São Paulo), diz que, na
maioria das vezes, as discussões sobre o relacionamento são iniciadas
pelas mulheres. "Em geral, elas se incomodam e buscam reverter a
situação; querem melhorar ou terminar de vez", explica Silva.
Maurício Sita explica que um dos motivos que mais perturba o homem, ao
assumir a iniciativa de romper um relacionamento, é ter de se justificar
para a parceira. "Ele evita tomar a decisão porque sabe que a mulher o
questionará, e os homens detestam ter de dar explicações".
A psicóloga Denise Diniz, coordenadora do Setor de Gerenciamento de
Estresse e Qualidade de Vida da Unifesp (Universidade Federal de São
Paulo) afirma que, culturalmente, o homem é considerado o provedor e
terminar o relacionamento é o mesmo que abandonar a família. "Eles
costumam encarar uma separação como sinal de fracasso e têm mais
dificuldade de lidar com isso”. Segundo ela, é muito mais cômodo para o
homem dizer que foi a mulher que o dispensou a ter de assumir que a
deixou.
Além disso, as mulheres são mais sentimentais. "Para elas, a falta de
amor é motivo para terminar uma relação. Já os homens analisam todas as
dificuldades de uma separação", diz Denise. O fim do amor não é
determinante para o rompimento na cabeça do homem. Ele avalia outros
aspectos, como o social, financeiro e até o companheirismo. "A relação
pode estar ruim, mas estabilidade é fundamental para o sexo masculino”,
explica.
Sita diz que os homens detestam se desestabilizar. Se a relação sexual
esfriou e só acontece de vez em quando, tudo bem. "Para o homem é melhor
estar mal acompanhado do que só. Se o sexo acontecer vez ou outra,
ótimo", diz Silva. E, se diminuir demais, ele pensará em procurar outra e
viver uma vida dupla. "Mas, mesmo tendo outra na jogada, dificilmente
cederá à pressão e terminar o relacionamento", diz Denise, que concorda
com os especialistas, os homens preferem uma rotina medíocre a ter de
enfrentar mudanças.
Fonte: UOL












